NOBRE ESPELHO

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NOBRE ESPELHO

Mensagem por vini em Qui Maio 12, 2016 8:45 pm

Rio de Janeiro, época do Brasil Império. A estória a seguir não possui ligação alguma com a veracidade dos tempos que pretende remontar. Visa apenas retratar figuras humanas: homens, mulheres e crianças não muito diferentes da atualidade, exceto apenas pelos títulos de nobreza e pela configuração social distinta, mas não menos segregaria da que observamos ainda hoje.
O clima tropical, as misturas de cores e etnias, as vestimentas pomposas em contraste com o calor escaldante, o desejo ingênuo, porém pedante de se igualar a Europa por parte da burguesia; a marginalização do índio, a tirania da fé e a submissão de muitas mulheres e a obrigatoriedade do papel do homem como líder e provedor.
Nesse cenário regado a segredos, bajulações, cerceador e hipócrita somos apresentados a família D’avila Leal. O patriarca do clã é o Duque Bernardo. Embora respeitado e próximo ao Rei, seu título não passou de uma cortesia vinda da família Rei do Brasil, por sua personalidade solícita quase beirando a uma subserviência escravista. Um homem sonhador, porém sem forças para tornar seus desejos realidade, sendo motivo de risos e chacotas pela corte por ser considerado um falso nobre e possuir privilégios que não merece.
Na infância, Bernardo perdeu a mãe por volta dos 04 anos de idade. Sem parentes próximos, cresceu sob os cuidados de dois escravos, pois seu Pai, bastante econômico com as finanças, se negava a contratar os serviços de uma preceptora. Foi nos braços e no convívio de Albertina e Romão, que ele pode vislumbrar os carinhos e o sentimento de pertencer a uma família de verdade. Por conta disso, tornou-se um homem mais brando com seus escravos, embora tente demonstrar o contrário. Movido por amor e gratidão, em seguida a sua nomeação como duque, alforriou em segredo seus tutores e os mantêm em uma fazenda longe da cidade.
Educado e visivelmente mais doce do que os homens de seu convívio, Bernardo vive um conflito interior por sempre ser impelido a agir de uma forma que não é a sua. Sua esposa, a temperamental Ozana, é a principal causadora desse mal-estar interior com seu jeito audacioso e muitas vezes cruel.
Religiosa e bastante temente a Deus, Ozana é o oposto do marido. Com tendências ao tiranismo, é volátil em praticamente todas as suas atitudes como se tivesse prazer em ver o circo pegar fogo e fosse detentora da verdade absoluta. Em seus embates com Bernardo, ela se queixa do marido não ter iniciativa e agir como se no lugar do coração, ele tivesse uma igreja.
A protagonista da estória é a filha única deles, a vaidosa e mimada Lina D’avila Leal. Extremamente amada por seus pais, Lina cresceu sob cuidados excessivos e nunca soube como é ter algo que deseja negado. Na preocupação de protegê-la e torná-la uma mulher perfeita e ideal para casar, Bernardo e Ozana contribuíram para Lina ser uma pessoa fútil, que facilmente se entedia e descarta as coisas que possuí.
Invejada e admirada por todos a sua volta, Lina é sinônimo de beleza e ostentação na medida certa. Sabe que provoca comentários, que muitos gostariam de ter sua vida e quanto mais desperta e provoca reações por onde passa, mais viva e alimentada ela se senti.
Entretanto, um vazio existencial a assola constantemente e ela consegue disfarçar bem. Ela passa a ter sonhos misteriosos todas às noites, sonhos esse que a mostra diante de um espelho e seu reflexo ganha vida.
Nas suas poucas, mas marcantes andanças pela corte, ela conhece Pierre Matias e os dois se conectam rapidamente através dos olhares. Eles passam a trocar cartas, onde buscam se conhecer e entender o que de fato o amor é.
Sem imaginar, as cartas também são lidas por Ozana, que movida por interesse social investiga a vida de Pierre e descobre que ele é filho bastardo de um falecido fazendeiro com uma escrava. Sem posses, sem nobreza e que vive a contra gosto na casa do seu Pai, como desejo deste antes de morrer.
Horrorizada, Ozana decide escrever uma carta, mas acaba indo pessoalmente ao encontro de Pierre e exige dele que se afaste de sua filha. Entretanto, a ameaça não surte efeito e Ozana se vê obrigada a comprar o rapaz oferecendo-lhe dinheiro e meios de vingar as constantes humilhações e privamentos que sofre dos meio-irmãos, revertendo à situação, pagando todas as dívidas e saindo da ruína.
Dividido entre a vergonha e o desejo de revanche, Pierre agora dar as cartas na fazenda onde um dia quase foi alojado na senzala. Porém, o amor por Lina fala mais alto e ao surgir diante dela, propõe que fujam antes que seja tarde demais, sem revelar, contudo, sua verdadeira origem e o que fez para conseguir dinheiro.
Voluntariosa, Lina não aceita, mas fica balançada. Ela sempre sonhou com um grande casamento e fugir faria seus pais sofrerem e um de seus maiores desejos não se concretizar. Ao mesmo tempo, surge na corte o boato que o Príncipe regente, Carlos Joaquim, procura uma noiva naturalmente brasileira e por esse motivo sua presença em bailes, saraus e qualquer festividade se tornou constante.
De temperado explosivo e com um ar de rebeldia e impaciência, Carlos Joaquim Fraga de Avelar cresceu rodeado de bajulações e responsabilidades com a coroa. Ao se tornar adulto, decidiu pouco a pouco romper com as amarras que ser nobre lhe confere e ao começar a escrever seu próprio destino, decide ir contra a vontade de sua família e escolhe uma mulher genuinamente brasileira para se tornar Rainha.
Em muita de suas andanças e flertes, Carlos conhece Lina e se interessa por ela. O encanto é mútuo. Lina pela possibilidade de entrar definitivamente para a nobreza; Carlos pela beleza e educação de Lina, que a distingue das outras mulheres. Ozana ao perceber a oportunidade de tornar a filha uma Rainha no futuro, se dedica exclusivamente a convencer a filha de que se casar com ele será a decisão mais acertada de sua vida.
Embora movidos por interesses que não o amor, Lina e Carlos descobrem afinidades. Carlos e ela devaneiam sobre a independência do Brasil e a busca por identidade própria que ainda é escassa no império.
Quanto mais à afinidade de ambos aumenta, mais indecisa e angustiada Lina se torna, pois não consegue esquecer Pierre. Ozana percebe o conflito interior da filha e decide revelar a verdadeira origem dele e o que fez para afastá-lo.
Em choque, Lina guarda todas as cartas e joga fora a chave da gaveta. Ela passa a investir mais na amizade com o Príncipe até que os dois se casam, para alegria dos D’avila Avelar e para a tristeza e desgosto da família Real e do povo brasileiro, que a julgam esnobe e indigna de os representar.
Pierre sofre ao saber do casamento e fica recluso na sua fazenda. Lina se muda para o palácio Real, mas imediatamente senti a rejeição e a inveja das pessoas a sua volta. Entretanto, o que causará mais desconforto será a mudança de Carlos, que mudara sua postura e passará a ser um homem esbanjador, sem nenhuma preocupação com o povo e, principalmente, que não tolerará dividir assuntos políticos com ela como um dia a fez acreditar.
Inicialmente, Lina é cercada mimos, bajulações, e embora saiba que tudo ao seu redor é falso e movido por convenções, ela se deixa deslumbrar. Junto com Carlos os gastos com luxos triplicam. Os dois jovens nobres são vistos como irresponsáveis, suscitando protestos e conspirações por parte de intelectuais e das classes mais baixas.
Percebendo o perigo que os cerca, representados na forma do Frade Inácio, do Duquês Marcílio e da esposa dele, a Duquesa Joana Catarina, Lina tenta intervir e mudar a concepção do esposo, mas recebe em troca humilhações e dissabores. Abalada, Lina teme por sua vida e a vida de sua família e pouco a pouco perde o brilho e a vivacidade que eram suas marcas registradas. Nesse momento intrigas surgem sem parar, numa tentativa de sujar a imagem da coroa e a colocando como alvo principal.
Tudo muda quando Lina sofre uma perseguição e quase é seqüestrada por revoltosos que lutam pela emancipação do Brasil. Ela é levada para outra cidade, longe da corte para se recuperar. Nessa casa, ela conhece Carmem - uma criada incrivelmente idêntica a ela, mas de beleza escondida pela rudez da vida braçal e pela pobreza que assolam muitas partes do País.
Lina entra em choque, mas pouco a pouco torna Carmem sua criada preferencial, dispensando as mucamas que tinha. Não demora muito para a Carmem perceber a incrível semelhança que as une e isso a assusta. Cansada da vida que leva e disposta a ir em busca do seu verdadeiro amor, elas trocam de lugar. Carmem leva seus filhos para o palácio como crianças que resolveu adotar. Lina se despoja da vaidade e segue a procura de Pierre.
Resumindo:
Carmem assume o lugar de Lina e gradualmente suplanta o Rei Carlos Joaquim, transformando a relação do povo com a corte instalada no Rio de Janeiro, priorizando os mais pobres e vetando nomeações para desespero dos inimigos escondido de bajuladores.
Lina se casa com Pierre, mas enfrenta o ódio dos irmãos do marido que buscam de todas as maneiras tomar a fazenda e os bens de volta.
As duas sósias, Lina e Carmem, trocam de lugares em determinados momentos. A situação se complica quando Carlos Joaquim decide se casar com outra mulher e mandar a 1° esposa embora para Portugal.
Lina volta ao seu lugar, enquanto Carmem conhece Pierre e teme se apaixonar.

Vini king queen

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